segunda-feira, 19 de junho de 2017

Encontro de Jesus com a mulher pecadora que muito amou



"...e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar."

Leia aqui a passagem biblica correspondente (Lc 7, 37-50)

Um convite para jantar na casa de um fariseu... só isso já nos dá muito o que pensar dessa situação mencionada por São Lucas em seu Evangelho. Ora, como sabemos os fariseus estavam sempre procurando um jeito de deixar Jesus em situação complicada, pois não aceitavam seus ensinamentos. Fico pensando se aquele convite para jantar teria sido uma oportunidade de expor Jesus a alguma situação embaraçosa ou se não passou de uma ostentação do fariseu: afinal Jesus era uma pessoa pública muito conhecida... e tê-lo em sua casa seria de grande ostentação, pois poderia se exibir ao lado de uma pessoa "famosa" como Jesus.

Aprofundando mais a leitura, é bom termos em mente como eram os costumes dos judeus naquela época. Um convite para jantar não era só um convite para participar de uma refeição e conversar, mas sim um ato de grande consideração. As casas daquela época tinham pátios, assim como hoje são as varandas, e tinham os portões sempre abertos, de modo que todos que passavam por perto podiam ver e muitos até entravam e se colocavam junto aos criados para observar as conversas. As refeições eram servidas em mesas longas e baixas, onde as pessoas se sentavam reclinadas, quase deitadas de bruços com as pernas esticadas.

E era sinal de boa hospitalidade alguns rituais, como mandar criados - ou o próprio dono da casa  - para lavar e enxugar  respeitosamente os pés e as mãos dos convidados, já que naquela época as estradas eram cobertas de areia e terra, e os pés dos viajantes ficavam sujos e empoeirados. 
Hoje em dia abraçamos nossos convidados ao chegarem em nossa casa, ou apertamos sua mão cordialmente. Naquela época usava-se o costume do "santo ósculo" (beijo na testa), e em sinal de respeito ungia-se a testa do convidado com azeite. Nesse jantar nenhum desses sinais de hospitalidade foi demonstrado por Simão, o fariseu. Certamente nosso Senhor observou todos estes sinais de falta de hospitalidade por parte de seu anfitrião, mas mesmo assim sentou-se a mesa, pois a Ele - livre de qualquer preconceito - importava estar próximo de todos e anunciar o Reino de Deus. 

E então ocorre um fato inusitado: uma mulher da cidade, conhecida por sua má reputação, adentra o local trazendo consigo um vaso de alabastro (uma variedade de carbono de cálcio produzido por depósito natural e hidratado) com unguento (perfume). Seu nome não foi citado em nenhuma parte do Evangelho, apenas mencionada como "pecadora". Este termo referia-se a mulheres de má reputação, que cometiam pecados.Não são mencionados os pecados que ela cometia, mas dentro do contexto da época podemos deduzir que era uma prostituta. Mulheres assim costumavam sempre trazer perfumes consigo, usavam até um colar perfumado para atrair os homens e instigá-los a cometer o pecado. O certo é que, seja qual for o pecado daquela mulher, ela já não mais os cometia, pois o texto bíblico fala claramente que ela se pôs aos pés de Jesus e começou a chorar. Suas lágrimas nada mais eram do que sinal de sua conversão. Naturalmente ela já encontrara Jesus antes, já O ouvira pregar e suas palavras tinham penetrado o seu coração esmagado pela culpa. E ali, na casa de Simão, aos pés do Senhor, com a alma envolta em uma onda de dor e alegria, fazendo com que lágrimas transbordassem de seus olhos e de seu coração, tinha um coração feliz, pois só no coração dos que sabem que foram perdoados existe uma dor que faz chorar e liberta. 

Todo o povo ali presente conhecia a vida daquela mulher, e presenciando aquela cena naturalmente muitos pensavam assim como Simão: "Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora."  Olhares e pensamentos acusadores... 

"suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume."  
Lavar os pés, beijar e ungir - gestos esperados do anfitrião Simão - foram oferecidos pela pecadora que não se importou com os olhares e pensamentos maldosos a seu respeito. Rompeu as barreiras e os preconceitos e se aproximou daquele que a tratara com misericórdia... não quis ficar de longe, espiando: assumiu o seu lugar aos pés do Senhor.

As lágrimas que regavam os pés de Jesus não eram lágrimas de tristeza, mas sim de alegria por saber que estava no melhor lugar que poderia estar: aos pés daquele que nunca a excluiu nem condenou, mas a acolheu e redimiu. Eram lágrimas de gratidão e de amor,  que dissolveram todo o contágio de impureza de suas mãos, merecendo tocar o Senhor.

Em seguida, soltou seus cabelos e  com eles enxugou os  Seus pés... Para uma mulher judia soltar os cabelos em local público era considerado uma falta grave, uma atitude obscena e repudiada, pois ela só os soltava diante de seu marido, na intimidade de seu quarto. Era seu coração convertido, enternecido, que se mostrava tão íntimo de Jesus que fazia com que não se importasse com o julgamento dos outros.  Quando beijou os pés do Senhor a mulher dizia-lhe intimamente: "Meu Senhor, és bem-vindo  na minha vida, no meu coração. Faça de mim, Senhor, a cada dia, uma pessoa renovada no seu Amor."

E o perfume com que ungiu os pés de Jesus era o melhor que ela podia lhe oferecer. Antes seu perfume atraía o pecado, agora era oferecido a Deus que se fazia presente ali naquela mesa, naquela refeição - um ato de verdadeira adoração.

 "Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora." 
No coração sombrio de Simão brotou esse pensamento amargo... Sabendo que não tinha sido um bom anfitrião, negando a Jesus as gentilezas do lava-pés, do beijo e da unção, em vez de se sentir culpado, resolveu criticar secretamente em seu coração a mulher que fazia tais atos com tanto amor e consideração a Jesus. Incomodou-se com a presença da mulher, com o tratamento atencioso e amoroso que ela dedicou a Ele. Como Jesus, "que se dizia profeta" podia não saber que ela era indigna? Será que Jesus não percebia isso? Mal sabia ele que o Senhor, que enxerga além das aparências, foi capaz de ler em seu coração toda a maldade de seus pensamentos e intenções. E sabendo disso, Jesus o coloca contra a parede ao contar a parábola dos devedores. Simão sabia que aquilo se referia a ele e a mulher! E como ele, todos os presentes. Que vergonha para aquele homem tão preconceituoso! 

Jesus conhece os corações! Sabe o que vai dentro de cada um e foi muito fácil para Ele conhecer o íntimo de Simão e da mulher. No íntimo de Simão havia escuridão - preconceito, orgulho... Um homem que se achava superior, tendo uma vida reta,  que se achava bom e justo pois pertencia a elite religiosa, com influência na comunidade. A mulher em seu íntimo trazia um coração carente, cheio de amor e gratidão... Enquanto Simão trazia Jesus sentado à sua mesa, a mulher trazia Jesus dentro do coração!

Aquele encontro com Jesus marcou a vida daquela mulher... trouxe para ela uma verdadeira mudança de vida, assumindo sua própria identidade que tinha sido perdida por causa das más escolhas que fizera. Arrependida da vida que levava assumiu aquilo que Deus queria que ela fosse: uma mulher livre, que podia andar de cabeça erguida por onde andasse, uma criatura nova! Foi corajosa, sim; mas na verdade o que a caracteriza é ter sido aquela que "muito amou", como o próprio Jesus a descreveu!

Quero eu poder chegar aos pés de Jesus e me ajoelhar silenciosamente. Abrir meu frasco de perfume e dar a Ele o que tenho de mais precioso... derramar suavemente nos seus pés minhas lágrimas de gratidão por tanta misericórdia que recebo sem merecer... 
Tocar com minhas mãos os Seus pés, em gratidão por guiar os meus por um caminho mais seguro. 
Beijar os Seus pés, em gratidão por terem andado por tantos caminhos fazendo o bem, caminhando até a cruz para me salvar. 
Meu perfume pode não ser muito valoroso, mas certamente é o melhor que tenho para oferecer a Jesus e sei que Ele, me enxergando através de Seus olhos cheios de Amor, certamente vai reconhecer que o que lhe dou foi adquirido com muito cuidado. 

Quero eu, também, encostar minha cabeça bem juntinho dos Seus pés, enxugando-os com os meus cabelos como se fossem um lenço. Pois sei que Ele vai saber reconhecer o significado de cada lágrima minha, a gratidão que o deslizar do meu cabelo em Seus pés representa. Jesus sabe que Ele está em meu coração. Sabe que sempre quero estar aos Seus pés, pedindo perdão e agradecendo muito por esse perdão. Aos Seus pés, Jesus, sou banhada por Sua Misericórdia, pois em Ti está um Amor que não existe em lugar nenhum: um Amor no qual eu encontro descanso e com o qual sei que posso contar para seguir adiante. Obrigada, meu Jesus querido, por Sua Misericórdia infinita!




3 comentários:

marcio luis disse...

Parabéns pelo texto!! Que o Eterno Deus continue te inspirando pra vc continuar escrever, estudar e sendo benção na vida de quem quer que seja. A Deus toda Glória!

marcio luis disse...
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