segunda-feira, 16 de junho de 2014

Encontro de Jesus com a profetisa Ana



"louvava a Deus e falava de Jesus a todos."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Lc 2, 36-38)

Para pensarmos neste encontro, primeiramente pensemos nesta mulher, Ana. A Bíblia nos fala muito pouco sobre ela, apenas três versículos. Ora, são poucas informações para entendermos um encontro de tamanho significado como este.

Ana... seu nome significa "graça", "favor". Era filha de Fanuel, da tribo de Aser, tribo esta que foi levada em cativeiro na Assíria em 722 a.C. Aser significa "felicidade"...

O texto fala que ela era viúva desde muito jovem. Que foi casada por sete anos. Naquele tempo, em Israel, uma mulher estava pronta para o casamento à partir dos 12/14 anos. Daí, Ana teria ficado viúva por volta dos 19/21 anos! Não sabemos, pelo texto, se seu marido morreu doente. Mas é fácil imaginar como ela deve ter sofrido. Seus longos dias de luto, sofridos, doloridos. Mulher temente a Deus, colocou aos pés do Senhor todo o seu sofrimento. E pedia a Ele o conforto para sua alma de mulher, para o seu coração partido. E foi nos braços amorosos de Deus que ela encontrou refúgio. Agradecida, dedicou todos os seus anos ao serviço do Senhor, adorando-O em no Templo, cultivando a intimidade com Deus, tendo a cada dia novas revelações de Suas palavra. 

Seus anos assim se passaram. Envelheceu, seu corpo perdeu o viço e a beleza e sua força foi sumindo... Mas sua alma a cada ano ficava mais bela. Se o seu corpo se cansava e sofria com o desgaste do tempo, seu espírito se elevava a cada dia, subindo a montanha até a presença de Deus... Era o Senhor que renovava as forças de Ana a cada manhã, quando, em oração, ela buscava a Sua face.

Mulher de Deus, conhecia as profecias e rezava a Deus todos os dias para que enviasse logo o Messias, que nasceria em Belém, de uma virgem... e salvaria o povo de seus pecados. O que ela não imaginava é que, naquela manhã que começava como outra qualquer, algo especial aconteceria... Este seria um grande dia! Como sempre, ela levantou-se cedo, lavou-se e se arrumou para ir ao Templo. O sol ia nascendo, calmamente, esquentando seus ossos cansados e doloridos. Lentamente ela foi pelas ruas, recitando salmos de louvor para não pensar em suas dores, que eram muitas! Chegando ao Pátio das mulheres, Ana percebeu uma grande agitação.

Apressou-se e viu seu conhecido, o velho Simeão, falando alto e segurando um lindo bebezinho ao colo. Ana já se acostumara a presença de Simeão, que todos os dias vinha ao Templo para esperar pela promessa de Deus: de que, antes de morrer, veria com os seus olhos, o Messias de Israel! Vendo-o naquela manhã, o coração de Ana acelerou... será??? Nem sabia direito o que pensar!

Os olhos embevecidos de Simeão, fixos naquela criança, brilhavam ao dizer, em bom som, as palavras que encheram o coração de Ana de alegria: "ó Deus, pode agora despedir seu servo em paz, pois meus olhos já viram a tua salvação..."   Seria aquela criança o tão esperado Messias...?

O texto bíblico não nos revela mais nada... mas consigo imaginar que Ana deve ter se aproximado da criança e de sua mãe... Deve ter chegado bem perto de Maria, colocado seus braços ao redor dela, carinhosamente, enquanto seus olhos se encantavam com aquele bebezinho.

E não se fez de rogada... pois o texto nos diz que "chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação."  Ana foi escolhida por Deus para ser a portadora da Boa Nova da Salvação... porque O amava e O adorava, o Senhor a ela se revelou. Quantos, naquele tempo, esperavam pelo Messias, e nem sequer imaginavam que naquele dia Ele se apresentava no templo... Mas Ana foi escolhida, porque esperava com fé e estava preparada para essa profunda revelação de Deus.

De idade avançada, muito provavelmente não viu Jesus exercer seu ministério, mas teve a graça de anunciar a todos os que ali estavam, naquela manhã, o grande motivo de sua vida: Jesus, o Salvador, aquele a quem tanto se esperava estava ali, diante dela...

Que a devoção dessa mulher nos inspire a buscar sempre a presença de Deus em louvor e adoração...


segunda-feira, 18 de março de 2013

Encontro de Jesus com a mulher adúltera



"Vá e não tornes a pecar."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Jo 8, 3-11)

Essa  passagem bíblica nos leva a pensar em Jesus como o Sol... o texto diz que Jesus chegou ao templo logo nas primeiras horas da manhã... a noite mal tinha ido embora, o sol começava a se levantar no horizonte e, como luz, Jesus chegou para iluminar o Templo com seus ensinamentos. Uma luz que estava ali, a disposição, para quantos quisessem se deixar banhar por ela.

Mas naquela manhã, nem tudo era luz. Havia trevas no coração dos doutores da lei, que também chegaram cedo ao Templo... eles sempre queriam encontrar um jeito de complicar a vida de Jesus, e naquela manhã não foi diferente. 

Em meio a todo o burburinho do Templo, escutava-se, aqui e ali, o pregão dos comerciantes, ovelhas balindo, pássaros cantando. Provavelmente na rua também o movimento começava a aumentar, legiões romanas deviam estar treinando ali por perto, fazendo-se ouvir o som de sua marcha. E no Templo um vai e vem de gente chegando e saindo. Era mais um dia que começava em Jerusalém, um dia como qualquer outro. Mas neste dia, Jesus estava ali, no Templo, falando a todos que pudessem ouvir. Seus discípulos o ouviam com atenção, tentando beber cada palavra com sofreguidão, cheios de entusiasmo. E muitos outros se aproximavam para ouvi-lo... talvez mais por curiosidade. Outros paravam em volta, distraídos. Quantos não devem ter prestado atenção ao tom daquela voz, a doçura do seu sorriso, aos seus gestos, ao brilho penetrante daqueles olhos - olhos que viam até o mais íntimo das almas.

Mas eis que, de repente, tudo que era normal e rotineiro, se transforma. Escuta-se, vinda da rua, uma grande gritaria. Vários homens irados, possessos, alvoroçados arrastam pelos cabelos uma mulher, machucada, suja, rasgada. Levam-na para perto de Jesus, que se levanta para saber o que acontece... Os homens empurram a mulher, que cai aos pés dele. As lágrimas dela misturaram-se com a poeira das ruas e seu rosto estava sujo - de lama... e também de sangue, pois fora esbofeteada por seus algozes. Seus cabelos estavam em alvoroço. Ela sentia muito medo, chorava baixinho... de aflição e humilhação. Ela sabia o que ia lhe acontecer.

Um dos homens mais velhos, que parecia ser o líder daquela horda, lança para Jesus a seguinte pergunta, em tom de ironia: 
- Mestre, essa mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?

Nesse momento Jesus se inclinou até o chão e com o dedo começou a rabiscar na areia... Com os olhos abaixados ele sentia a tensão que se criava em volta dele. Sabia que todos ali esperavam por sua resposta. Profundo conhecedor da dureza da lei do judaísmo - que mandava apedrejar até a morte uma mulher adúltera - ele não podia ir contra aquela determinação. Mas ele precisava fazer chegar ao coração dos que estavam ali a Boa Nova que veio anunciar. Ele precisava tentar fazer com que os escribas e os fariseus, presos a ditadura da lei mosaica, conhecessem o verdadeiro sentido de tudo que ele vinha pregando entre eles... Jesus também sentia o medo que paralisava aquela mulher ali, jogada no chão, humilhada, apavorada com o que lhe ia acontecer. Como fazer com que aquelas pessoas ali entendessem que, acima de qualquer lei,   estava o valor de uma vida humana... como fazê-los entender que a verdadeira religião não é exercer o juízo e o julgamento, mas sim a misericórdia e o perdão...? A vida daquela pobre mulher estava nas mãos daqueles homens... As pessoas não entendiam a atitude de Jesus, abaixado, riscando o pó da terra com o dedo, enquanto todos em volta se armavam com pedras, esperando a hora de atirá-las... Acho interessante, neste momento, a analogia entre PEDRA e PÓ DE TERRA... Os representantes da lei de Moisés se armavam com pedras, pensando em matar, enquanto o carpinteiro de Nazaré remexia o pó da terra, como se a nos dizer: não se esqueçam que Deus Pai, que lhes deu a vida, "formou o homem do pó da terra (conf. Gn 2,7)... Pura analogia entre morte e vida.

Então, o Mestre se levantou... e calmamente falou:
- Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.

Ah... neste momento, os olhos de todos - que já tinham nas mãos uma pedra pronta para ser atirada - foram desviados da mulher para dentro de si. Jesus fez com que cada um olhasse para dentro de seu coração e vasculhassem bem, procurando onde estava o direito de julgar, condenar e sentenciar quem quer que fosse!  
O texto bíblico diz que todos foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos... Você consegue imaginar a cena? Quantos ali presentes já não tinham cobiçado a mulher do próximo? Quantos ali não eram também adúlteros? Os mais velhos, certamente por ter mais experiência de vida, foram os primeiros a se conscientizarem da situação... muito provavelmente largaram as pedras no chão, abaixaram a cabeça, e saíram de fininho, envergonhados.

... E Jesus ficou sozinho com a mulher... só então Jesus olhou para ela. Antes ele não a tinha olhado, pois não queria que ela sentisse sobre si mais um olhar acusador, dentre tantos. Em nenhum momento Jesus apontou para ela o dedo acusador. Nesse momento em que Ele a olhou, posso imaginar quanto amor havia naquele olhar. Era um olhar de misericórdia, de perdão. E quando falou em momento nenhum Jesus disse que ela era inocente. Jesus a amou apesar do seu pecado. O pecado é odioso, mas o pecador é um ser humano degradado que precisa de misericórdia e perdão para que possa ter a oportunidade de refazer sua vida, desvencilhando-se de seus erros e vencendo suas fraquezas. E diz a ela, naquele tom de voz que é severo sem deixar de ser suave:
- Ninguém te condenou! Eu também não te condeno... vai e não tornes a pecar!

E naquele dia a mulher experimentou o grande amor de Deus... ela se sentiu amada no mais íntimo do seu ser. E foi justamente naquele momento, quando ela se encontrava no fundo do poço, seduzida por um amor adúltero, por um homem que certamente fizera a ela muitas promessas enganosas, que ela conheceu o que é o verdadeiro Amor - aquele que se ocupa com cada detalhe de nossa vida, que sabe as dificuldades que enfrentamos, em como muitas vezes, por fraqueza, fazemos escolhas erradas que nos levam para longe da vontade de Deus. Um Amor que não se recusa a derramar sua graça e seu perdão gratuito, sem nos pedir explicações, pois conhece todas as nossas limitações.

Que sempre na nossa vida, quando estivermos fragilizados pelo pecado, saibamos buscar Aquele que quer nos mostrar o caminho certo a seguir, e nos dar uma nova oportunidade de recomeçar. E que este encontro nos ajude a aceitar que existe a possibilidade de uma nova chance para que façamos as escolhas corretas. Que aos nos aproximarmos de Jesus saibamos reconhecer que este encontro é uma nova chance de recomeçar, de erguer a cabeça e superar os erros cometidos.



domingo, 13 de janeiro de 2013

Encontro de Jesus com a Samaritana



"Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede"

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Jo 4, 5-42)

De todos os encontros que a Bíblia narra, talvez este de Jesus com a mulher samaritana seja o mais  surpreendente... Primeiramente por judeus e samaritanos serem tão avessos uns aos outros (devido a um incidente ocorrido mais ou menos no ano de 722 a.C., narrado em II Rs 17, 3-6.17-24). Essa aversão era levada tão a sério que os judeus evitavam até pisar no território da Samaria. Mas a Bíblia diz que "devia passar por Samaria" (v. 4). Ora, por quê Jesus devia passar por lá? É óbvio que Ele, a fim de evitar um confronto com os fariseus antes do tempo resolveu se afastar da Judéia e ir para a Galiléia. A trilha que os judeus costumavam usar era entrar na Galiléia pelo norte da Judéia, a leste do Rio Jordão, sem precisar passar pela Samaria. Teria, então, acontecido alguma coisa diferente? O Rio Jordão, por acaso, teria enchido com as chuvas, impossibilitando a passagem por lá? Jesus pretendia adiantar a viagem, cortando caminho pela Samaria? Ou haveria algum compromisso maior, de ordem divina, para que Ele passasse por ali? Sim, Ele tinha um compromisso no poço... e justamente ao meio-dia, hora muito pouco provável que alguém estivesse por ali, buscando água. Na hora certa, no local certo, para o encontro preparado por Deus, ali estava Jesus: à beira do poço de Jacó, vendo a Samaritana se aproximar e dizendo a ela que sentia sede. O sol estava forte, Jesus sentia-se cansado e com sede... mas é claro que Ele, que pedia, tinha muito mais a dar... Ele queria dar-se a si mesmo. Usou de sua sede física para atingir a sede espiritual dela.

Observando mais de perto a situação da Samaritana, fica a questão: por que ir buscar água àquela hora, a mais quente do dia? Normalmente as mulheres cumpriam esta tarefa em horários mais cedo, quando era mais fresco... Ela estava sozinha, quando o natural era que fosse com outras mulheres, pois assim era mais seguro.

Isso nos leva a conclusão de que ela era uma mulher de moral duvidosa, com a vida marcada por divórcios e adultérios - o que, naquela época, não a fazia melhor do que uma prostituta comum. Por isso fazia a caminhada ao poço sozinha e num horário em que certamente não encontraria as outras mulheres. Ela vivia à parte da sociedade, excluída do convívio das outras mulheres... muitas vezes deve ter ouvido comentários maliciosos a respeito da vida que levava... Sim, sua vida não era virtuosa... a maledicência social a perturbava, e ela tinha consciência de seus erros e sofria por isso. Mas só Jesus foi capaz de enxergar isso. Enquanto todos a marginalizavam Jesus fez questão de estar ali para este encontro. Ele mostrou a ela compaixão. Era mais uma vez o encontro da misericórdia com uma alma esfarrapada pelo pecado e pela humilhação.

Aquela mulher passou a sua vida inteira procurando alguém em quem pudesse repousar o seu coração. Como ela, assim somos nós. Temos sede de amor, precisamos ser amados. A Samaritana já tinha tido tantos homens (cinco anteriores) e naquele dia vivia já com o sexto homem. Vivia numa ânsia para encontrar um repouso para seu coração. Sentia uma grande necessidade de amor. Mas seu coração nunca se saciava. Buscava, buscava, buscava e não encontrava. Vivia com sede.  Mas naquele dia ela ia encontrar um Homem diferente.

Qual não foi sua surpresa ao ouvir que Jesus se dirigia a ela... uma mulher (na sociedade judaica homens não conversavam com mulheres em público), samaritana (raça considerada pelos judeus como bastardos) e pecadora! Qualquer outro judeu que estivesse ali, naquele poço, ia preferir morrer de sede a pedir água àquela mulher. Ela estava ali, no Poço de Jacó, buscando água na fonte para as suas necessidades, e de repente encontra-se com um homem diferente - um homem que viria a ser uma outra "fonte" da qual ela poderia viver.

Sim, este encontro inusitado deu à Samaritana um desejo de vida nova: "Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede..." (v.15)

E ela foi entendendo, aos pouquinhos, o que Jesus dizia prá ela. Aquela água viva que mataria sua sede de amor de uma vez por todas... Porque quem encontra-se realmente com Jesus recebe no seu coração a água  viva do Espírito Santo, capaz de encher o grande vazio que todo ser tem dentro do seu coração: a sede de Amor.

Ela conseguiu sair de sua situação de pecadora, discriminada e marginalizada e encontrar dentro de si a verdadeira mulher, aquela que estava - como todos nós também estamos - em busca de um caminho para seguir... A luz de Jesus fez com que ela enxergasse as trevas de sua vida e buscasse, no fundo do poço, a experiência da água viva - começava aí o seu processo de cura. Ela encontrou n'Aquele que dizia a ela "sou eu, que falo contigo" (v.26) o seu Salvador.

Ali, no coração daquela mulher, acontecia o que nenhuma prática religiosa poderia alcançar-lhe. O encontro com Jesus fez com que ela verdadeiramente conhecesse a Deus. Ela agora poderia adorar em espírito e verdade, pois a verdadeira adoração se dá no conhecimento do verdadeiro Deus.

Que a exemplo da Samaritana também nós abandonemos no chão o nosso "cântaro" sobrecarregado com nosso comodismo, nossa vida desregrada, nosso egoísmo...Que nossa alma, saciada com a graça, seja impulsionada pela alegria a anunciar a Fonte da Água da Vida.

Que, como ela, ao encontrar a Fonte Verdadeira possamos dizer: "Ó vós todos que tendes sede vinde às águas"... Abandonemos nossos cântaros, e sejamos anunciadores entusiastas - não apenas cheios de conteúdo e de conhecimento da doutrina, mas cheios também de entusiasmo, irradiando a alegria do Senhor, prestando a Ele, assim, a adoração que Lhe é devida.




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Encontro de Jesus com Nicodemos



"a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz"

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Jo 3, 1-21)

Esse texto bíblico conta a história de um encontro muito marcante. Esse encontro aconteceu entre Jesus e Nicodemos. 

Nicodemos era um homem muito importante, um dos grandes mestres da sinagoga, príncipe dos judeus. Naquele tempo os fariseus perseguiam Jesus, querendo encontrar um motivo para prendê-lo e matá-lo. Nicodemos fazia parte deste grupo, mas pensava diferente. Ele se espantava com as coisas que Jesus falava... se impressionava com os milagres que fazia... e não via a hora de estar com Ele. Tantas perguntas ele queria fazer a Jesus... tantas dúvidas queria esclarecer! Sabia que Jesus era um homem santo e abençoado por Deus. Mas como? Ele era um fariseu. Como se aproximar de Jesus, sem se comprometer?

Até que não resistiu mais. Numa noite, ele soube que Jesus estaria reunido com seus discípulos bem próximo a sua casa. Nicodemos então se armou de toda a coragem, calçou suas sandálias, cobriu o rosto com seu manto e saiu pelos becos escuros, escondido nas sombras. O vento soprava forte, a lua se refletia nas paredes das casas... não encontrou ninguém pelo caminho. Ele caminhou rápido, de cabeça baixa. Enfim, chegou à casa, bateu à porta e entrou. Lá está Aquele Homem... quem seria Ele, afinal? Esta noite ele iria descobrir.

Alguns dos presentes ficaram espantados com a chegada de Nicodemos. Olhares se cruzavam, fazendo a mesma pergunta: o que ele quer aqui? Nicodemos nem se deu conta das reações que sua chegada provocou. Só tinha olhos para Jesus... Sentou-se a um cantinho e ficou ouvindo as palavras d'Ele. Ficou tão embevecido com o que escutou que numa certa hora disse a Jesus:  “Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.” (Jo 3, 2) 

Jesus, que sempre enxergava além das aparências, viu dentro de Nicodemos o grande desejo de conhecimento e respondeu assim: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.” (Jo 3, 3)

Neste momento o coração de Nicodemos, homem instruído, membro do Sinédrio, Doutor da Lei, bateu forte... Ficou confuso, não sabia o que pensar. Durante tantos anos estudou as Escrituras, ensinou na Sinagoga... e nunca tinha ouvido nada parecido com aquilo!!! Ele era um homem letrado, já de certa idade, tinha barba grande e branca e, no entanto, falou a Jesus como se fosse um menino, ingênuo: "Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?" (João 3, 4)

Eu consigo imaginar o cenário que se criou: todos ali, em volta de Jesus e Nicodemos, espantados ao escutar palavras tão inocentes de um homem tão importante! Muitos podem ter sentido menosprezo, outros podem ter tido risos de sarcasmo... mas Jesus não! Jesus o amou e o acolheu, sem sarcasmo, sem ironia... e revelou para ele mais um segredo: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus." (Jo 3,5)

Jesus, naquela noite, revelou para Nicodemos que ser religioso nem sempre significa ser conhecedor das verdades de Deus... Nesta noite muito provavelmente Nicodemos nasceu de novo... teve um renascimento espiritual. Nicodemos aprendeu com Jesus que não importava a sua situação social, seu status. Se não renascesse espiritualmente nunca conheceria os mistérios do Espírito de Deus.

Procuro me colocar na situação de Nicodemos. Como deve ter sido difícil para ele - um judeu fariseu - compreender o sentido espiritual das palavras de Jesus! Como entender que o Reino de Deus é algo interior, que nasce, em primeiro lugar, no coração? Ele estava tão acostumado à rigidez da Lei, aos rituais externos do judaísmo que não conseguia pensar com o coração... 

Não é difícil imaginar a confusão interior que as palavras de Jesus provocaram em Nicodemos naquela noite... Todo o seu racional e todo o seu emocional estavam em estado caótico. E esse é o momento em que Deus age. Foi assim no Princípio. A terra estava sem forma, vazia, era o caos. E Deus a criou. Assim Deus fez com Nicodemos... do seu caos interior, do seu vazio espiritual Deus fez uma nova obra - uma nova criação, um renascimento. 

Naquela noite Nicodemos entendeu a diferença entre religiosidade e fé - uma fé verdadeira, que nos leva a adorar a Deus em espírito e verdade.

Naquela noite, Nicodemos foi até Jesus impressionado pelos milagres que Ele fazia. O que chamou a atenção dele foram as coisas externas, que somente os olhos materiais vêem. Mas diante de Sua presença entendeu algo muito maior. Entendeu que o Espírito de Deus é capaz de fazer uma obra nova no seu coração. É capaz de fazer nascer um novo ser.

As palavras de Jesus, naquela noite, não foram só para Nicodemos. São também para nós, hoje. Quantas vezes nos comportamos como ele: percorremos, em nossas noites escuras, um caminho incerto em busca de alguma luz... é uma busca ansiosa, já que nos sentimos inconformados com muitas situações que vivemos. 

Quantas vezes chegamos diante de Jesus com perguntas ingênuas, até mesmo tolas... diante dos mistérios da vida, da religião? Quantas vezes chegamos diante d'Ele com o coração confuso, num verdadeiro caos interior, presos a culpas, ressentimentos, mágoas, pecados que não somos capazes de abandonar? É nesta hora que devemos nos tornar como crianças e nos entregar nas mãos de Deus, humildes, informes, vazios... e nos deixar ser por Ele recriados, refeitos. Ao reconhecermos que estamos vazios espiritualmente, Deus nos molda e nos dá um novo pensar, um novo agir, um novo falar. É o encontro das trevas com a Luz. Nossas trevas e a Luz de Jesus - para nós que buscamos e cremos. 

Que a exemplo de Nicodemos tenhamos a coragem de sair pelos becos escuros e tenebrosos de nossas dúvidas e questionamentos, à procura de Jesus - não atrás dos milagres que Ele pode fazer, mas atrás do Reino de Deus que dever ser buscado em primeiro lugar. Que não nos baste a nossa religiosidade, o nosso conhecimento teológico, nosso cumprimento dos rituais. Que nunca deixemos de buscar o novo nascimento. Que nunca sejamos conformados com este mundo, mas sim transformados pela renovação de nosso espírito, para que possamos discernir qual é a vontade Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (cf. Rm 12, 2).



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Encontro de Jesus com João Batista - 2



"Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo..."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Jo 1, 29-34)

Essa é uma das frases da Sagrada Escritura que mais me tocam. João Batista, que pela primeira vez encontrou-se com Jesus ainda quando os dois estavam no ventre de suas mães, encontra-se agora com Ele às margens do Rio Jordão - e o aponta, com a força de suas palavras:

Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!

Desde aquele encontro ainda cada qual no ventre de sua mãe, João Batista viveu para Jesus. Toda a sua vida foi dedicada a Ele, a preparar as pessoas para que pudessem receber Jesus. Para alertar aquele povo que o Messias seria diferente daquele que todos esperavam...

O que os olhos de João viram naquele dia, às margens do Rio Jordão,  para fazer tão importante proclamação?  Ele viu o Cordeiro... simbolo de um animal puro, cheio de simplicidade, bondade, mansidão, inocência - que era oferecido em sacrifício pela expiação dos pecados do povo de Israel. Os olhos aguçados de João previam até onde o Amor e a Missão de Cristo o levariam - até a cruz, onde por nós derramaria todo o seu Sangue.

Os olhos de João também viram o Cordeiro da Ceia Pascal... aquele que satisfazia a necessidade de sustento de seu povo. O Cristo é o Cordeiro que satisfaz todas as nossas necessidades espirituais, que pode saciar nossa sede de Deus, que pode curar as nossas feridas.

Os olhos de João viram o Cordeiro... o animal manso, que se deixa abater. O Cristo se ofereceu por nós, não foi obrigado por ninguém - ele se ofereceu por Amor... Amor a mim e a você.

Os olhos de João reconheceram em Cristo o Messias, aquele que todo o povo de Israel esperava. Aquele que iria rasgar o véu do templo de alto a baixo, abrindo para os homens, purificados pelo Seu Sangue derramado, a porta do céu e o olhar misericordioso do Pai.

Todos os discípulos que estavam com João Batista ouviram essa proclamação... e a partir daí, alguns se dispuseram a seguir o Cordeiro.

Hoje nossos ouvidos ouvem essa proclamação nas celebrações da Santa Missa. Nessa hora, levantamos nossos olhos para o Cordeiro, o Cristo Eucarístico, que se oferece por nós de uma vez por todas... Que nossos olhos consigam ver, em cada celebração, Aquele que morreu por Amor a cada um de nós. Ele, que está ali, vivo no meio de nós, ressuscitado, no altar, se oferecendo cheio de Amor. Na Hóstia Consagrada está Jesus, "rosto divino dos homens, rosto humano de Deus."

E como os discípulos de João que foram atrás de Jesus, que nós possamos também reconhecer que há um Caminho à nossa disposição. Um Caminho que significa Vida Nova, que nos leva a Comunhão com Deus, uma comunhão que pode transformar nosso coração com sua mansidão.

É para nós um tempo de graça: olhar para Jesus, que nos leva a presença do Pai, pois pelo Sangue do Cordeiro não há mais cortinas nem véus... Deus se revelou para nós. O céu se abriu e o Sol da Justiça brilha sobre nós.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Encontro de Jesus com João Batista - 1



“apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio”

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Lc 1, 39-45)

Esse pedacinho da Bíblia narra um fato marcante que pode ser resumido numa única frase: 

“apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio”

Não é difícil imaginar a cena em questão. Nossa Senhora e sua prima Isabel se abraçam, e seus ventres  se aproximam. E acontece, então, o primeiro encontro de Jesus com João Batista, os dois ainda no ventre de suas mães. A ligação destes dois meninos veio de longe. Penso mesmo que esta ligação se deu ainda no pensamento do Criador, pois ambos eram frutos da revelação divina, cuja geração se deu através de algo impossível – um é o Filho da Virgem, e o outro é o filho de uma mulher considerada estéril.  Assim como Maria e Isabel eram cumplices no mistério que transportavam em seus ventres também os dois meninos estavam intimamente ligados por este mistério e é por isso que a Bíblia diz que João pulou no ventre de Isabel com a presença de Jesus. Era um pulo de alegria e louvor!

João ainda não tinha nascido, mas já foi capaz de reconhecer a presença de Jesus que chegava ali através de Maria. João Batista foi, neste momento, um adorador na presença de Jesus. E a partir deste momento seus olhos sempre estariam fixos n’Ele.  João sabia que estava na presença de Deus, e transbordou de alegria e louvor. 

Que este encontro que aconteceu entre os dois meninos seja para nós um alerta. Precisamos ter um coração adorador. Um coração que saiba reconhecer a presença de Jesus e que essa presença transborde alegria em nossa vida e louvor em nossos lábios. Que ao entrarmos na igreja tenhamos a consciência da presença de Deus ali, e nos coloquemos em adoração. Que nossos olhos permaneçam em Cristo, reconhecendo que é a sua Luz que nos ilumina, e que precisamos da sua presença em nossa vida.

domingo, 3 de julho de 2011

Encontro de Jesus com os Doutores da Lei no Templo de Jerusalém



"Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Lc 2, 41-52)


Esta passagem conta um fato surpreendente... não apenas pelo Menino ter permanecido na cidade sem o conhecimento e consentimento de seus pais, mas por sua presença no Templo de Jerusalém. Os grandes homens sábios, que conheciam toda a Escritura e todas as Profecias tinham, naquele dia, por interlocutor um jovem de 12 anos... Um Menino simples, vindo de uma pequena cidade do interior, filho de um carpinteiro: certamente aqueles homens não entendiam de onde vinha todo o conhecimento dele.

A Bíblia diz que todos que o escutavam ficavam maravilhados... É fácil imaginar sobre o que Jesus falava. E o mais importante: o modo como Ele falava. Nem sempre conhecer as Escrituras significa "conhecer Deus". Os sábios doutores sabiam de cor cada um dos versículos e todas as profecias. Podiam citar palavra por palavra o que cada Livro continha... mas quantos ali "conheciam" realmente Deus?

As palavras do Menino irradiavam um profundo conhecimento de Seu Pai do Céu... O brilho dos seus olhos, o amor no seu tom de voz eram um grande testemunho da "intimidade" que Jesus tinha com Seu Pai.

Imaginem a cena: em volta do pequeno Menino havia muitos homens maduros, cultos, cheios de conhecimento e inteligência... mas todos eles se maravilhavam com a Sabedoria dele. Certamente seus corações ardiam e ansiavam por ouvir mais e mais Suas palavras.

Muito provavelmente alguns deles pensaram: "estudei tanto, li tanto durante tantos anos e não consigo "sentir" Deus assim como esse Menino..." Outros podem ter pensado assim: "como pode um Menino tão pequeno saber tanto sobre Deus???"

O certo é que, naquele dia, aqueles homens sábios tiveram um "encontro" diferente com Deus... um encontro com o Pequeno Menino Jesus e a Grandeza de Deus...

Que nós, a exemplo destes doutores, não nos deixemos cegar pelo conhecimento adquirido e nem façamos de nossos diplomas farol para nossa vida. Peçamos a Deus a verdadeira Sabedoria, aquela que nos fará "conhecer" o verdadeiro Deus que se fez Menino para nos ensinar que "ninguém vai ao Pai senão por mim..."


sábado, 14 de maio de 2011

Encontro de Jesus com Simeão



"...meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Lc 2, 27-35)

Sempre que leio esta passagem bíblica imagino como esta cena deve ter sido significativa para o velho Simeão. Consigo até imaginar que naquele dia, muito provavelmente, havia muitas pessoas no Templo de Jerusalém. Muitos sacerdotes, muitos levitas. Mas foi aquele homem simples e pobre, o idoso Simeão, quem primeiro viu o Menino Jesus chegar com seus pais. Simeão era um homem que praticava sua religião e ia sempre ao Templo. Ele esperava pelo Messias prometido por Deus. Diz o texto bíblico que, naquele dia, dirigiu-se para lá movido pelo Espírito Santo. E então, eis que ele tem a visão do Menino, nos braços de sua mãe. É muito fácil imaginar como seu rosto se iluminou... Imagine o sorriso em seu lábios e o brilho em seu olhar! E como Maria era uma pessoa muito atenta a tudo, a expressão do rosto de Simeão não lhe passou desapercebida. Ela percebeu a emoção daquele homem, e diante da ternura em seus olhos, ela gentilmente colocou o Menino Jesus nos braços dele, partilhando, assim, com ele a alegria da presença daquele pequenino Ser.

Que dia cheio de alegria e luz! É assim que ficamos quando temos um encontro com Jesus: nossas esperanças são renovadas e ficamos cheios de paz. O velho Simeão, já no final de sua vida, acolhe nos braços a Luz do Mundo... e seus olhos refletem essa luz que nasceu para a salvação de todos os povos. A luz em seus olhos era, nada mais, nada menos, do que resplendor da Glória de Deus. Suas orações sempre foram para que esse dia se realizasse: ele rezava por isso todos os dias, e sabia que, naquele bebezinho em seus braços já trêmulos, que ele contemplava com seus olhos cansados, vinha para cumprir as promessas de Deus e realizar as esperanças do povo de Israel.

Deixemos também que o Espírito Santo nos guie para um verdadeiro encontro com Jesus. E, como Simeão, abramos os nossos braços cansados para acolher Jesus... carinhosamente. E assim ele vai entrar em nosso coração, povoando nossos pensamentos e sentimentos. Que nossos olhos, tantas vezes sem brilho diante das agruras deste mundo, possam se abrir para a Luz que não se apaga... Depositemos no rostinho do Menino um beijo carinhoso... e certamente, nesta hora, suas pequenas mãozinhas vão afagar nosso rosto...



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Encontro de Jesus com os Pastores de Belém


"Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor..."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Lc 2, 8-20)

Numa noite tranqüila e silenciosa, nas proximidades de Belém, próximo ao deserto da Judéia, alguns pastores estão em pleno trabalho, vigiando o seu rebanho. O céu está cheinho de estrelas e muito limpo; o ar é seco e frio... O silêncio chega a gritar nos ouvidos. Ao longe, escuta-se um tilintar dos sinos do pescoço de alguma das ovelhas que cochilam, deitadas. Próximo a elas está o cão de guarda que as vigia atentamente. O fogo está aceso – é inverno – e repentinamente uma luz misteriosa aparece o céu: um intenso clarão – parece que um raio rasgou a noite serena!

O texto bíblico diz que os pastores foram tomados de um grande temor... afinal, eles estavam cansados e sonolentos e foram surpreendidos por esta luz assombrosa e tão fora do normal. Eram pessoas simples, provavelmente rudes e ignorantes e eis que, repentinamente, uma voz misteriosa chega aos seus ouvidos:

“Eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.”

Podemos imaginar a sensação que percorreu aquele acampamento... que coisas estranhas e incompreensíveis estavam acontecendo! Talvez algum dos pastores pudesse ter pensado assim: “- estou com tanto sono que estou ouvindo vozes...” E perguntaria para os seus companheiros: “-vocês também ouviram isso? O Salvador? Cidade de Davi?” E os outros disseram: “-sim, sim, eu também ouvi!”

Aqueles homens rudes e ignorantes, com pouco ou nenhum estudo, foram capazes de compreender o que significavam aquelas palavras estranhas... era uma promessa, uma promessa de alegria. E precisavam verificar, por-se a caminho e ver com os seus próprios olhos... E então aconteceu: eles largaram tudo por lá: ovelhas, cabras, cães, comida...

Largaram tudo por que eram homens que buscavam a Deus. Eles “foram com grande pressa e acharam Maria e José e o Menino deitado numa manjedoura.”

Foi uma experiência marcante na vida daqueles homens. Por mais que vivessem, jamais esqueceriam. Nunca deve ter passado pela cabeça deles que receberiam a visita de Deus, através de uma multidão de anjos que cantavam numa noite escura... Quanta beleza e harmonia neste momento...

“Gloria a Deus nas alturas... e paz na terra aos homens por Ele amados”

E então eles voltaram à sua cidade... e devem ter contado essa história muitas e muitas vezes. Afinal, um encontro com Deus não pode ficar esquecido. Que a experiência dos pastores se repita na nossa vida.


Crédito a imagem: fotografia de Samuel Quedas, no Picasa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Encontro de Jesus com os Reis Magos


"Vimos sua estrela... e viemos adorá-lo..."

Leia aqui a passagem bíblica correspondente (Mt 2, 1-12)

Eles eram reis e eram chamados de “magos”. Na realidade eles eram homens da ciência, estudiosos, muito provavelmente astrônomos, pois perceberam que aquela luz brilhando no céu era um fenômeno raro, que poucas vezes na vida poderia acontecer... Mas o certo é que eram homens atentos aos sinais dos céus, aos sinais de Deus e que acreditavam nas profecias. Por isso se puseram a caminho, seguindo a luz daquela estrela. Eram reis, eram magos, eram cientistas mas, acima de tudo, eram homens de fé. Saíram de sua terra em busca do Messias Salvador.

Não sei por quanto tempo eles andaram, quantos dias ou meses durou essa comovente viagem. Mas sei de uma coisa: o coração deles devia arder de tanta alegria e esperança! Eles tinham um coração faminto e sedento de Deus. Um coração que estava ansioso para encontrar aquele Menino...

Mas aconteceu que, no meio do caminho, eles ficaram confusos. Acharam que o Messias, aquele que seria o Rei do seu povo Israel só poderia nascer na grande cidade de Jerusalém, por isso foram bater na porta do Palácio de Herodes... e a luz daquela estrela que os guiava se apagou! Mas graças aos seus corações sensíveis, eles perceberam que a estrela só poderia ter-se apagado porque tinham se desviado do caminho certo... afinal, aquela luz era o próprio Menino que, de sua manjedoura iluminava o caminho de fé daqueles homens!

Saíram, então, do Palácio e se dirigiram à pequenina Belém, por uma estrada que foi novamente iluminada pela estrela... E quanta alegria eles devem ter sentido ao perceberam que a estrela voltara a brilhar! Eles estavam no caminho certo de novo! E encontraram o Menino... no silêncio daquela noite, na simplicidade daquela gruta... na companhia de José e Maria e de gente simples... E seus corações sensíveis perceberam mais uma verdade: não era a estrela que iluminava o caminho, era aquele Menininho que iluminava a estrela!

Ali estava Jesus... o Ser Divino que se fez humano, tão frágil e tão pequenino a ponto de caber numa manjedoura. E ali estavam também os Três Reis Magos. Cansados depois de uma longa viagem mas revigorados com aquele encontro tão especial. Jogaram-se aos pés do Menino Jesus e de dentro de seus corações tiram os presentes que Lhe trouxeram: cada um deu a Ele o que tinha de melhor... e o adoraram!

Que jornada emocionante empreenderam estes homens! Deixaram sua terra, seus parentes, seus amigos e percorreram um caminho em busca de Deus, porque este é o destino de todos nós: buscar e encontrar Deus.

Nesta longa caminhada que não sabemos de antemão quanto tempo vai durar, vamos precisar atravessar, assim como os magos, desertos escaldantes e noites escuras. Sim, pois a luz da estrela que um dia iluminou nossos olhos e fez arder nosso coração nem sempre estará brilhando... ela sofrerá eclipses. Nossa caminhada de fé é feita de dias claros e noites escuras, de auroras e crepúsculos... Em nossos dias sentiremos a alegria de poder caminhar, mas também sofreremos com o cansaço da jornada. Em algumas horas estaremos entusiasmados e em outras sucumbiremos ao desânimo. Mas precisamos seguir em frente, sempre com os olhos atentos aos sinais dos céus, com ouvidos sensíveis à voz de Deus.

Pois nos dias de hoje, quando não temos mais a Estrela de Belém no céu nem o Menino Jesus em Belém, é preciso sentir que esta Estrela está dentro de nós... e ela nos guia para o encontro com Deus, um Deus que está perto e sempre presente, que caminha ao nosso lado e que se manifesta nas pessoas e na nossa realidade.

Que nossa busca sincera por Deus seja sempre uma jornada apaixonante. Que nossa estrela não se apague e que nunca nos cansemos dessa procura... Que nossa atitude seja de alegria em testemunhar que O encontramos na simplicidade de nossa vida e que possamos seguir iluminados por aquilo que vivemos...


Crédito da imagem: http://www.papeldeparede.etc.br/


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O encontro




Ele passou pela terra fazendo o bem. Andou pela Judéia, pela Galiléia, passou por diversas cidades: Caná, Jerusalém, Nazaré, Jericó, Cafarnaum, ... por onde ele passava, juntava gente para vê-lo, para tocá-lo, e se perguntavam: “Quem é este que fala com tanto amor?”, ou ainda, “Quem é este que nos olha com tanta ternura?”

Muitos foram os que o viram passar, muitos tocaram seu manto, muitos ficaram curiosos e se questionaram... mas alguns tiveram um encontro muito marcante com ele. Um encontro que fez com que suas vidas mudassem profundamente.

Encontrar-se com Jesus é muito simples... Ele está sempre a caminho, cabe a nós procurá-lo... “Buscai e o achareis.” (Lc 11,9). A presença de Jesus é grandiosa e ao mesmo tempo simples: ele quer se relacionar com cada um de nós. Cabe a nós consentir nesta relação.

Pensei neste blog com o objetivo de refletir sobre aqueles encontros que aconteceram na época de Jesus, com todas aquelas pessoas que o viram pessoalmente. Para que, meditando cada um desses encontros, possamos facilitar o nosso encontro com Jesus ressuscitado, que vive e reina entre nós.

Bom encontro!


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011